Livro “Os Orixás Africanos e as Sete Linhas de Umbanda”, Gilton S. Santos

O primeiro livro da série LITERATURA UMBANDISTA, do canal Uma simples conversa no Youtube, é sobre o livro “Os Orixás Africanos e as Sete Linhas de Umbanda”, do autor Gilton S. Santos. Assista ao vídeo aqui!

Cada vez mais, conhecemos irmãos umbandistas trabalhando com afinco para divulgar conhecimentos e ideias interessantes, através de suas doutrinas, experiências e vivências nas giras de Umbanda. O que tem crescido com expressão nos últimos 10 anos, são os lançamentos de livros referente a literatura umbandista. Com o aumento de jovens e curiosos na religião, foi expressivo os lançamentos de obras para disseminar conhecimento e fundamentos, inclusive, romances trazidos pelas entidades. O que não podemos esquecer e inclusive, devemos reverenciar, são os autores do passado. Se hoje sofremos preconceito, imagine o cenário aproximadamente 20, 30 anos atrás.

Devemos agradecer de todo coração por toda coragem e entusiasmo desses autores, até porque, foram as obras deles que serviram de base e alicerce para desenvolvermos tantos conteúdos e indagações para explorarmos junto as entidades de Umbanda e chegarmos onde estamos atualmente.

Após essa introdução, vamos abordar a obra de Gilton S. Santos, onde o autor explora as características dos Orixás e suas atuações na religião de Umbanda.

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Livro “Os Orixás Africanos e as Sete Linhas de Umbanda”, do autor Gilton S. Santos

O livro é bem fininho, tem 60 páginas. Mas não é o tamanho que define a qualidade de um trabalho, muito pelo contrário. Um remédio na dose certa é capaz de curar. Menos é mais. Voltando ao livro… O autor aborda as características dos Orixás através de pequenos contos criados por ele, evidenciando as essências e campos de atuação dessas forças. Para uma pessoa que está conhecendo, é fundamental e bem interessante.

Mas, a parte que mais se destaca (acredito eu), é a definição e estrutura dos Orixás e como atuam na Umbanda.

O autor apresenta os Orixás Sublimados: Oxalá, Exu e Nanã. Esses Orixás formam uma triangulo de forças que sustentam a hierarquia dos trabalhos.

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pág. 16 – “Os Orixás Africanos e as Sete Linhas de Umbanda”

Abaixo dos Orixás Sublimados, é apresentado os Orixás Encantados. Esses cuidam dos reinos animal, vegetal e mineral, apresentado em duplas:

– Xangô e Iansã – reino animal;

– Oxóssi e Ossain – reino vegetal;

– Ogum e Oxum – reino mineral.

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pág. 22 – “Os Orixás Africanos e as Sete Linhas de Umbanda”

O mais interessante, é a forma exposta da hierarquia dos Orixás e suas atuações. É possível adotar de forma consciente um método de trabalho com essas especificações. Aqui, não vamos julgar certo ou errado, apenas a possibilidade em cima do material apresentado.

Além dessa estrutura apresentada, o autor reforça a força, o histórico e os símbolos dos Orixás. Abaixo, algumas imagens do livro.

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Símbolo de força de Oxalá “Paxoró”
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Símbolo de força de Exu “Tridente”
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Símbolo de força de Nanã “Ebiri”
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Símbolos de força de Iansã “Erukerê”, “Espada” e Córnio”
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Símbolo de força de Xangô “Machado”
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Símbolo de força de Oxóssi “Aste de ferro com flecha” e “Erukerê”

Simples e objetivos, os desenhos representam as ferramentas dos Orixás.

Para reforçar e explorar os Orixás, o autor criou contos de acordo com suas essências. Abaixo, um conto interessante sobre o casal responsável pelo reino animal.

A FORÇA DE IANSÃ E XANGÔ

A guerreira negra vagava pela orla arborizada do rio… Seu rosto estava dúbio, e demonstrava furor, e seu corpo ébano estava fitado do seu sangue, e do sangue dos guerreiros de sua tribo que caíram por terra no fragor da guerrilha, quando o povo cruel, seu vizinho, fez a invasão à aldeia.

Bem poucos foram os guerreiros que saíram ilesos do campo de luta, e os que conseguiram, agora estão dispersos no coração da mata. Lá, eles choram seus mortos, lá eles choram pelas suas mulheres, pelas suas crianças, e choram pelo resto de seu povo que são prisioneiros do grande chefe cruel.

A guerreira negra mirou o azul do céu, olhou os quatro cantos do mundo, e parou o olhar centralizando o rio. Depois, ela encheu o peito, e com todas as forças que a mãe Natureza lhe concedeu, ela gritou pelo nome de Oya-Iansã…

A guerreira negra clamava por justiça, e Oya-Iansã, guerreira, ouviu os seus apelos. E de súbito, sob um Sol prateado, o trovão ribombou no espaço, ao tempo que uma forte tempestade desabou na mata.

Iansã fundiu-se com Xangô, e as forças da Natureza revoltaram-se, e então um raio desceu do espaço fulminando o chefe cruel, cujo corpo foi envolto por um torvelinho de vento que o lançou sobre os pontaletes aguçados de uma rocha cristal. E o povo do chefe cruel entendera rapidamente a mensagem dos ORIXÁS, e sem perca de tempo libertou o povo negro que era o povo da guerreira negra.

Obs.: A ilustração não trata-se de uma lenda, e sim, uma ficção do autor, maneira pela qual tenta explicar o quanto é forte os poderes desses ORIXÁS, quando os diferentes pólos estão unidos.

Pág. 27 – “Os Orixás Africanos e as Sete Linhas de Umbanda”

Como podemos ver, os contos exploram fielmente as características dos Orixás Xangô e Iansã, demonstrando a força e vitalidade nas suas funções de justiça. O interessante, é a reflexão que nos traz, uma vez que cada pessoa sente as forças divinas de uma forma, mas nunca alterando a essência.

Para finalizar os comentários dessa obra, transcrevo na íntegra um texto que e chamou bastante a atenção. Com título ousado, o autor mostra que a Umbanda foi feita para todos, independente da cor, raça e classe social.

UMBANDA DE GENTE BRANCA

Nas páginas anteriores vimos alguns símbolos que identificam os Orixás e consequentemente as suas determinadas áreas de ação. E essa simbologia parece ter tido as suas origens nas sociedades secretas da antiguidade que funcionavam em grandes templos. E os adeptos dessas seitas esotéricas colocavam os seus conhecimentos metafísicos acima da religião, cujos conhecimentos eram guardados a sete-chaves pelos Sacerdotes da época. Mas com os tempos vindouros esses templários foram subjugados pela Igreja, e muitas irmandades simplesmente desapareceram, enquanto outras continuaram praticando seus rituais nas clareiras das matas, nos campos, e nas capelas abandonadas, o que justificava o continuísmo dos rituais.

O verdadeiro culto aos Orixás importados da África é de um complexo impressionante… É rico em deuses e lendas… E esse complexo mágico é a base fundamental dos cultos umbandistas. Esse culto aos Orixás africanos, e aos Eguns, parece ter tido a sua origem logo após a libertação dos escravos aqui no Brasil. Foi quando o culto deixou as senzalas para ser praticado nos morros, e em doses quase homeopáticas foi se urbanizando, até que verificou-se a intromissão dos brancos no sistema, e tudo leva a crer que esses elementos brancos teriam sido os responsáveis pelo aparecimento desse culto aos Orixás e aos Eguns, que posteriormente denominou-se “Umbanda”.

Existe quem afirme que tanto Umbanda quanto Candomblé, são simplesmente Folclore, o que discordo com veemência!

Acima disso que é chamado de cultura popular, existe uma enorme gama de sabedoria. – Sabedoria oriunda de antigos povos, em especial do povo hebraico. Daí verificar-se tanto na Umbanda quanto no Candomblé, uma enorme variedade de símbolos cabalísticos, e uma enorme gama de deuses, que tanto Umbandistas quantos os Candomblecistas, denominam “Orixás”, deuses mantenedores que equilibram as energias que regem o universo.

Esses deuses que soltam falanges de semi-deuses…. Esses semi-deuses que soltam falanges de entidades encantadas… E essas entidades encantadas que soltam falanges de entidades espirituais esclarecidas, que são verdadeiros arautos entre os Orixás e os homens… Essas entidades esclarecidas que são os redistribuidores dos axés que estão contidos nos três reinos naturais… E essas entidades espirituais esclarecidas são os caboclos, são os Oguns (em sua maioria soldados que morreram em função dos seus deveres), e os pretos-velhos, que tanto sofreram sob o julgo de um sistema escravagista que não reconhecia o homem de cor como ser humano.

Além desses Orixás, e das entidades esclarecidas que fazem a redistribuição dos axés, destacamos também as entidades numa escala inferior – que são os baianos, os boiadeiros, e outras, cujos adiantamentos espirituais dependem muito dos seus médiuns, que em maioria tendem a modelar a conduta das entidades de acordo com suas vontades.

Pág. 45 e 46 – “Os Orixás Africanos e as Sete Linhas de Umbanda”

“É importante ressaltar que o autor explorou suas indagações e conceitos no ano de 1992, o que não é algo absoluto. O objetivo das resenhas é apenas explorar os textos contidos no livro, mostrando uma perspectiva interessante.” João Paulo Francisco – Idealizador do blog Uma Simples Conversa.

Chegamos ao fim da resenha do livro “Os Orixás Africanos e as Sete Linhas de Umbanda”, do autor Gilton S. Santos. Livro é conhecimento, é vivência, é vida. Devemos agradecer de todo coração a todo escritor que se dedica a publicar uma obra edificante.

Obrigado autor Gilton Santos. Muito axé pra você!

Saravá Umbanda.

Axé!

João Paulo Francisco – Médium e escritor

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2 comentários Adicione o seu

  1. gilton serafim dos santos disse:

    Obrigado pelo reconhecimento de minha óbra, e pelo magnífico comentário tecido sobre minhas páginas; que Oxalá deixe cair um pingo de sua luz sobre vossas cabeças, e que os Orixás derramem seus axés sobre todos vocês!.
    Gilton S. Santos

    Curtido por 1 pessoa

    1. Que felicidade ver seu comentário irmão! Que eu tenha passado de forma clara a mensagem do seu livro. Obrigado por ter publicado a obra, obrigado mesmo!

      Que os Orixás abençoem sua caminhada.
      Muito axé!
      João Paulo Francisco

      Curtir

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