O exemplo da Umbanda em tempos sombrios.

Por João Paulo Francisco

A Umbanda é um exemplo.
De resistência, resiliência, paciência, sabedoria e respeito ao outro.

Não dá para pensar na Umbanda como algo individualista.

Para a magia acontecer, não dá para ter apenas os médiuns. Tem a união do médium e do guia espiritual. Mas não dá apenas para ter o médium e o guia. Precisa do cambone, para auxiliar o guia espiritual incorporado. Mas não dá só para ter os médiuns e o cambone. É preciso ter um dirigente espiritual, que conduz os trabalhos. E não para por aí. É necessário que tenha a assistência, que são as pessoas que buscam orientação e ajuda e, se refletirmos, na própria assistência uns ajudam aos outros. Quem está quase sem forças, se espelha a quem está fortalecendo sua fé. Quem conseguiu ajuda incentiva quem ainda está passando por um momento difícil a não desistir. E assim vão criando-se os ciclos.

Na Umbanda, a coletividade faz morada. Todas as giras, todas as orientações, todos os sentimentos conduzem uns aos outros.

Como disse seu Cobra Coral, no primeiro trabalho espiritual da T.U. Cabana do Pai Antônio e os Filhos da terra “Que vocês lembrem para sempre deste dia. Ninguém faz nada sozinho. Com união, amor e fé, vocês podem fazer sempre melhor. Nunca se esqueçam disso.”

Agora, olha para o momento que estamos passando. Não importa sua nacionalidade, posição social, religião ou qualquer que seja a divisão de grupo. Estamos todos no mesmo barco. Sempre foi assim e sempre será. Se algum dia nos esquecermos, implacavelmente, a vida vai dar um jeito de nos lembrar.

Somos uns pelos outros.
A Umbanda por si só, pode auxiliar e muito nesse momento sensível e delicado. Usando apenas o que acontece em todas as giras.

No que diz respeito a conduta, busquemos na essência a sabedoria dos Pretos Velhos e Pretas Velhas. Para tranquilizarmos a mente, observarmos as situações e agirmos com sabedoria e cautela.

No que diz respeito as ações, busquemos na essência a disciplina dos Caboclos e Caboclas, “orai e vigiai”, agindo de forma com que nos reguardemos e preservemos ao próximo.

No que diz respeito as emoções, busquemos na essência a pureza dos erês / crianças / ibejis, para que possamos sorrir em meio ao caos e deixar as coisas um pouco mais leves.

Coloco aqui, algumas dicas que acredito ser relevante:

1. Vamos manter a calma, disciplina e sabedoria, de interromper momentaneamente as giras públicas para ajudar na prevenção contra a pandemia do Covid-19 (Coronavírus). Essa fase vai passar e voltaremos ainda mais fortes;

2. Evitemos compartilhar demasiadamente informações sem fontes confiáveis, para que não aumentemos a ansiedade e pânico das pessoas.;

3. Nossos guias espirituais, junto a Deus e aos Orixás, estão trabalhando incansavelmente para auxiliar aos médicos terrenos e também a todos nós. Continuemos elevando nossos pensamentos, fazendo nossas orações, nossas firmezas e banhos com ervas;

4. Fé, calma e paciência. Tudo isso vai passar! Vamos cada um fazer a nossa parte e o que estiver ao nosso alcance. Sejamos exemplo. Sejamos a própria essência da Umbanda.

5. Links úteis e seguros:
– Ministério da saúde – https://www.facebook.com/minsaude/
– Dráuzio Varella – https://www.facebook.com/drauziovarella/
– Aplicativo Coronavírus – SUS para esclarecer as dúvidas sobre a doença:
Android (https://bit.ly/2w3I41A) e IOS (https://apple.co/2w3pCpP)
– Informações e cuidados com a Dengue – https://www.msf.org.br/o-que-faze…/atividades-medicas/dengue

Que Deus, os orixás e guias espirituais continuem nos instruindo, protegendo e abençoando. Que possamos vencer o Coronavirus e tirar o máximo de lição desse momento.

Que pai Obaluaê esteja conosco e nos ajude a levar essa pandemia para bem longe.

Atotô. Axé. Saravá!

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Compartilhe o texto / imagem com os devidos créditos de autoria.

Umbanda minha.

Por João Paulo Francisco

Sem muitos rodeios, o grande problema das religiões é terem muitos donos. Com a Umbanda não seria diferente.

É muito gracioso textos bonitinhos nas redes sociais, fotos conceituais para ganhar likes e em público dizer frases de efeito como “Umbanda é amor e paz”, “Umbanda é caridade”, “Umbanda é libertadora”.

Para quem está na superfície, caí nessas conversinhas furadas.

Tem gente que fala que é umbandista mas evita ir na cachoeira lavar a alma com as águas de Oxum porque está frio; sai do terreiro porque não concorda com algumas coisas; e por aí vai.

Apesar de tudo, tem Umbanda pra todo mundo. Pra quem acredita que pagando curso e colocando certificado na parede se faz umbandista; Pra quem nunca fez curso e aprende no dia a dia; Pra quem aprende no dia a dia e também faz cursos…

A Umbanda minha, sua e de quem quer que seja, só não pode esquecer dos seus alicerces: é uma religião para TODOS.

Sendo uma religião de todos, inclusiva, onde tem Preto Velho (arquétipo do ex escravo) e o Caboclo (arquétipo do índio, que desde sempre é explorado), como é justificável a elitização? Onde o conhecimento está para a moeda e não para o merecimento?

Que em 2020 sejamos mais críticos e reflexivos, com diálogo e educação (sempre)! E principalmente, que paremos de endeusar pessoas e voltemos a ouvir as entidades, com suas orientações que acolhem, despertam e não excluem ninguém.

Axé! Saravá! Mojubá!

Foto: acervo da T.U Cabana do Pai Antônio e os filhos da terraCompartilhe o texto / imagem com os devidos créditos de autoria.

Separando o joio do trigo.


Por João Paulo Francisco

Infelizmente estamos vendo diariamente um esforço absurdo em propagar conhecimento, fundamentos e afins sobre a Umbanda.

No que diz respeito a um grupo de pessoas, que discursam e pregam a Umbanda “livre e sem dogmas”, vejo um sacrilégio nos seus discursos, um desrespeito ao sagrado travestido de evolução. Sequer respeitam quem veio antes de nós e, graças a essas pessoas, podemos praticar Umbanda, usar guia no pescoço e compartilhar abertamente nossas visões sobre a vida na perspectiva da Umbanda.

Nas retóricas, muito bem elaboradas (uma cópia bastante fiel de Erico Rocha – fazer 6 em 7 em uma semana), misturam pessoas má intencionadas, que dizem guardar os mistérios da religião para manipular, segregar e utilizar o poder ao seu próprio benefício com pessoas realmente valiosas, que fazem um trabalho impecável, se preocupando mais com seu terreiro, corrente mediúnica e no ato de ajudar quem precisa.

Interessante observar que existe um esforço tremendo para validar o que vendem. Precisam apontar e criticar o que nada entendem, colocando tudo na mesma panela e dizendo que quem age diferente, quem se orgulha de ter uma raiz (família espiritual unida, com um trabalho bem estruturado passado de geração a geração), é ultrapassado, vive através de crendices e dogmas.

Bom, como os sábios Pretos Velhos e Pretas Velhas nos ensinam, a boca fala o que quer. Alias, até papagaio fala (repete). Muitos se escondem atrás de discursos, poucos realmente absorvem os valores primordiais dos guias espirituais.

Seja qual for sua filosofia de Umbanda, ouça as entidades. O principal objetivo é sermos um pouco melhores. O resto é resto ou venda de curso.

Saravá! Axé! Mojubá!

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Foto: acervo da T.U Cabana do Pai Antônio e os filhos da terra. Compartilhe o texto / imagem com os devidos créditos de autoria.

Quer saber / aprender sobre Umbanda? Leia livro de UMBANDISTAS!

Quando criança, eu fiz a primeira comunhão. Lembro que nas aulas, eu era a maior dor de cabeça das catequistas. Por que? Por que tudo o que ela falava e tentava ensinar, eu questionava. Por vários dias elas se irritaram. Eu não entendia o que estava falando ali.
Na adolescência, conheci o espiritismo. Mediunidade latente, fui convidado a fazer o curso de médiuns e posteriormente, trabalhar na sala de desobsessão. Durante aproximadamente 3 anos, trabalhei e aprendi sobre a doutrina de Kardec.
Veja bem: eu vivi isso, aprendi e dediquei meu tempo. Agora imagine só, eu escrevendo textos / livros sobre o catolicismo e doutrina de kardec? Será que faz sentido? Não vivo mais isso, não faz parte de mim.
Vejo muitos autores escrevendo e falando sobre a Umbanda. Textos bonitos, livros bem feitos. Mas o primordial, que é viver a Umbanda, ir no chão de terreiro, fazer preceito, conversar com as entidades incorporadas, não o fazem.
Não que eu seja contra a liberdade de expressão, não! Muito pelo contrário. O grande problema são pessoas tendo uma visão sobre a Umbanda sobre perspectivas puritanas e muito longe do que realmente é. Querendo ensinar Umbanda sem ter ela no coração, no pensamento e nas atitudes.
Quer aprender sobre a Umbanda? Leia autores umbandistas. Vá ao terreiro. Converse com uma entidade.
Agradecemos aos diversos autores que escrevem / incluem sobre Umbanda em seus livros. Mas temos muitos autores incríveis que podem falar com propriedade sobre nossa religião.
*Não me levem a mal, mas que a verdade seja dita!*
Leia autores umbandistas. Não somente os que aparecem nas pesquisas do google, mas tente conhecer os mais diversos autores.
A Umbanda é linda.
Axé!

Precisamos resgatar a fé.

Todo santo dia nossa fé é testada. Tudo em que acreditamos vem à tona através das situações, conflitos e obstáculos que temos que enfrentar.

Não é fácil.

Já reparou que quando começa acontecer algo que nos prejudica, vem tudo de uma só vez? Pois é! E vem com força.

É nesse momento que temos que sacudir a poeira, estufar o peito e dar a volta por cima.

Temos que resgatar a nossa fé, aquela que é genuína e inabalável.Temos que resgatar a fé na Umbanda, principalmente quando os erros de terceiros começam a ter mais importância que a nossa reza a Deus e aos Orixás.

Temos que resgatar a fé na vida, percebendo que apesar dos impasses e negatividade do mundo, podemos contemplar a beleza da natureza e o ensinamentos dos guias espirituais.Temos que resgatar a fé em nós mesmos, acreditando em nosso potencial, buscando a humildade que trazemos em nossa alma e vivendo a felicidade da vida.

Temos que ter fé na vida, em Deus e nos Orixás. Aí, tudo fica mais sereno, harmonioso e em paz.

Saravá!
Por João Paulo Francisco